terça-feira, 23 de março de 2010

# Teorias populacionais


Malthusianismo


A preocupação com o aumento populacional no mundo não é um assunto recente. Já no final do século XVII (1601-1700), o inglês Thomas Robert Malthus (1766-1834), economista e pastor da igreja Anglicana, preocupado com o crescente aumento populacional e suas consequências socioeconômicaspara a Inglaterra, escreveu uma obra intitulada Ensaio sobre o princípio da população, em que defendia proposições antinatalistas para resolver os problemas relacionados ao aumento populacional.
Segundo Thomas Malthus, a população crescia de forma acelerada (em progressão geométrica-P.G), duplicando a cada 25 anos, enquanto a produção de alimentos cescia de forma bem mais lenta(em progressão aritmética). Essa diferença acabaria resultando no agravamento de problemas sociais, principalmente no aumento da pobreza e da fome.
Dessa forma, para evitar um quadro característico de convulsão social, a população não deveria crescer, tornando-se fundamental a utilização de práticas antinatalistas.
Malthus argumentava que a natureza acabaria por contibuir-por meio de epidemias generalizadas, catástrofes naturais ou mesmo guerras, suprindo uma parte da população. Para garantir o abastecimento satisfatório, seria necessário o controle populacional, conseguido com os seguintes meios:
  • retardamento na idade dos casamentos.
    abstinência sexual.
    planejamento familiar.

Karl Marx (1818-1883) questionou essas ideias argumentando que, na verdade a super população atendia os interesses dos capitalistas.

*Exército industrial de reserva
A teoria de Malthus foi um equívoco, pois, se tivesse havido, de fato, duplicação a cada 25 anos, a população mundial seria aproximadamente 15 bilhões.
Um outro equícoco foi a produção de alimentos, já que Malthus não contava com a revolução técnológica no campo.

Neomalthusianismo


O crescimento populacional ocorido no século XX (explosão demográfica) levou os adeptos de Malthus a criarem uma nova teoria denominada neomalthusianismo.
Essa teoria defende que o aumento populacional é a causa da pobreza.
*Quanto maior o número de habitantes menor a renda per capita.


Os reformistas


Contrapondo-se ao neomalthusianismo, os chamados reformistas ou marxistas argumentam que a miséria que assola os países pobres é responsável pelo crescimento populacional, e não o contrário. A injustiça social e a péssima distribuição de renda impedem o acesso de 800 milhões de pessoas a meios dignos de sobrevivência.
  • o controle populacional X qualidade de vida.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

# Terra arrasada

Daniel Santini e Kátia Mello

Mais de uma semana depois do terremoto que atingiu o Haiti, pelo menos 50 mil corpos já haviam sido recolhidos e muitos estavam espalhados pelos escombros. Autoridades locais estimavam que o número de vítimas fatais pudesse passar de 200 mil.

As imagens de cadáveres cobertos de pó foram transmitidas para todo o mundo, junto com promessas de ajuda. Alguns dos mais poderosos governantes anunciaram pacotes de apoio, envio de tropas, comida e remédios. Até a segunda-feira (18), a quantia prometida por mais de 47 países e órgãos internacionais para reerguer o Haiti passava de R$ 1,2 bilhão, segundo levantamento da Folha Universal.

Nas ruas, porém, as pessoas brigavam desesperadas por alimentos e água, lojas eram saqueadas e feridos procuravam ajuda. Mesmo com a comoção mundial e a mobilização e solidariedade de povos de todo o planeta, uma semana depois do desastre as perspectivas ainda eram sombrias para o país.

“As cifras divulgadas são astronômicas e a impressão é de que esse dinheiro da ajuda vai parar direto nas mãos dos haitianos. Não é bem assim”, diz o cientista político e doutor em Relações Internacionais Reginaldo Nasser.

“O caminho não é direto entre o doador e quem recebe. Há recursos que são desviados antes de chegarem nas mãos de quem está precisando”, aponta o especialista, que tem estudado a militarização e o uso político das missões humanitárias durante desastres e guerras.

“A ajuda humanitária frequentemente é tratada como uma questão meramente filantrópica ou de solidariedade, mas nos últimos anos ela vem se tornando cada vez mais um instrumento político e econômico”, afirma Nasser.

Ele cita como exemplo as ações tomadas após a destruição provocada pelo tsunami na Ásia, em 2004. “Na época, os governos alegaram que as áreas perto das praias não poderiam mais ser habitadas por questões de segurança e retiraram a população local.

Depois, o espaço foi liberado para hotéis, que acabaram beneficiados por doações feitas para ajudar esses moradores”, lembra.

No Haiti, nos dias que se seguiram ao abalo, os Estados Unidos assumiram o aeroporto em ruínas e passaram a controlar o espaço aéreo. Em seguida, o presidente Barack Obama anunciou o envio de mais de 10 mil soldados.

O Brasil, à frente das tropas da Organização das Nações Unidas (ONU) que ocupam e controlam militarmente o país, organizou remessas de comida, água e
remédios e reclamou de restrições para o pouso e decolagem dos aviões carregados.

Em meio às rusgas, diplomatas e secretários trabalham para manter o equilíbrio na divisão de poder dentro do país.

Para que os milhões prometidos para a reconstrução não se percam, Nasser defende um projeto de desenvolvimento que inclua políticas de emprego e reconstrução das instituições locais.

“Primeiro é preciso resolver as questões emergenciais, tratar os feridos, salvar pessoas, aí não há o que discutir. Mas depois, quando o assunto sair de foco, é preciso atenção.

Estudos mostram que muito do dinheiro doado como ajuda volta para os países de origem, seja na contratação de empresas para construções, seja devido a pré-condições que vão do fim de barreiras alfandegárias a privatizações”, analisa.

“Desde 1990 o Haiti tem recebido ajuda e há pobreza. Para onde vai esse auxílio? Apesar de o apoio humanitário ter ajudado, ele não resultou em benefícios”, ressalta.

O Haiti é o país mais pobre do Hemisfério Ocidental. Antes mesmo do desastre, a falta de itens básicos já era um problema grave. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, da sigla em inglês), antes do terremoto, em uma população de 9,2 milhões, o número de desnutridos era de 5,3 milhões (58%) e o de pessoas abaixo da linha da pobreza de 7,3 milhões (80%).

Em meio à miséria local, é difícil obter estatísticas precisas e os números variam de acordo com os levantamentos feitos por diferentes grupos internacionais (veja mais dados acima), mas é possível traçar estimativas da gravidade dos efeitos do terremoto.

Assim como Nasser, o representante regional da FAO para América Latina e Caribe, José Graziano da Silva, aponta a necessidade urgente de criar bases para a nação se reerguer. “O país enfrenta muitos desafios nesses primeiros dias, tais como resgatar, tratar, abrigar e alimentar os afetados. Mas também já precisamos nos preparar para o futuro.

A próxima temporada de plantio no Haiti começa em março e uma boa colheita vai ser muito importante para garantir a segurança alimentar”, defende Graziano da Silva.

A crise alimentar do Haiti, que é anterior ao terremoto e até mesmo às tempestades que destruíram plantações em 2008, está diretamente relacionada a reformas
implementadas nas últimas décadas. “Eles eram grandes produtores de arroz, mas foram forçados a medidas que desestimularam o plantio.

Os Estados Unidos exigiram que baixassem a tarifa de importação e cortassem os subsídios. Eles não conseguiram mais competir com a produção dos norte-americanos, que tinham ajuda do governo”, explica o jornalista Aloísio Milani, que já visitou a
capital Porto Príncipe quatro vezes e hoje trabalha em um livro sobre o Haiti.

Ele considera “hipocrisia” os ex-presidentes norte-americanos Bill Clinton e George Bush estarem à frente do programa oficial para recolher doações.

á dois momentos: o imediato, em que são necessários médicos, alimentos, remédios. E o segundo, que é o da reconstrução”, defende. “A população foi para debaixo da terra. Terão que recomeçar tudo. Executivos, ministros, senadores, policiais, muita gente que fazia parte do governo morreu.

A ajuda humanitária vai até um determinado momento. Depois, ela vai diminuindo, diminuindo, até sumir.
Vamos voltar a um momento de dependência extrema de estrangeiros”, prevê.

Ele questiona o envio de tantos soldados para o país após a catástrofe. “É lógico que não dá para tirar todas as tropas de um dia para o outro. Com certeza há problemas de segurança, como tentativas de saque.

A população está desesperada, precisando beber e comer, e o país está um caos. Neste momento, porém, é melhor ter os 300 médicos que Cuba enviou do que os 10 mil soldados dos EUA”, afirma.

Milani defende que uma das principais medidas de ajuda seria o perdão da dívida externa com outras nações mais ricas e com organismos internacionais. “O Haiti tem dívidas com a França, com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Todos exigem uma série de contrapartidas. É isso o que tem que ser discutido agora?”, questiona.

De acordo com o banco de dados da Agência Central de Informações (CIA) dos Estados Unidos, o Haiti teve, no ano passado, um déficit de mais de R$ 1 bilhão no comércio internacional. Se a situação já é crítica e a perspectiva não é das melhores, a história recente das duas regiões atingidas por tremores tão grandes como o que aconteceu no Haiti também não é muito animadora.

Dois terremotos ocorridos neste século entraram na lista dos dez maiores da história: em 2005, o Paquistão viu a região da Cashemira ruir com um tremor de 7,6 pontos na escala Richter, matando cerca de 86 mil pessoas e, em 2008, a província de Sichuan, na China, perdeu 87 mil habitantes em um terremoto de magnitude 7,9.

O abalo no Haiti foi de 7 pontos.
Até hoje a Cashemira enfrenta problemas. Segundo o técnico em informática paquistanês Jamil Ahmed, em entrevista ao colunista David Cohen, do jornal inglês
“London Evening Standard”, “metade dos 3,3 milhões de pessoas desabrigadas após a destruição de 500 mil casas ainda não têm moradia. Muitas delas vivem em barracos e até a metade de 2009 apenas 10% das escolas tinham sido reconstruídas e metade dos hospitais ainda estavam fechados. Você olha isso e pensa: onde foram parar os R$ 10,1 bilhões que mandaram para a gente?”, indigna-se Ahmed.

Mesmo na China, mais organizada econômica e socialmente que o Paquistão, 1 ano depois da tragédia ainda havia resquícios de prédios que desmoronaram em Sichuan.

E isso considerando que mais de R$ 33,7 bilhões foram gastos em projetos de reconstrução de casas. Em 2010, o governo prometeu investimentos de mais R$ 5,3 bilhões.

Parece impossível dizer quanto tempo o Haiti levará para se reerguer, mas uma coisa infelizmente é certa: não será rápido, muito menos fácil.

# Grã-Bretanha ou Reino Unido?


A confusão muito comum é fácil de explicar. Grã-Bretanha é a ilha de quase 230 mil quilômetros quadrados que é ocupada pela Inglaterra, País de Gales e Escócia.

Já o Reino Unido é um Estado formado por esses três países mais a Irlanda do Norte, que, juntos, têm uma população de cerca 60,6 milhões de pessoas, que falam, majoritariamente, dois idiomas oficiais: o inglês e o galês.

A chefe de Estado é a rainha Elizabeth II e o chefe de Governo é um primeiro-ministro (cargo ocupado atualmente por Gordon Brown) que é eleito por um Parlamento Central, instalado em Londres (Inglaterra), e ao qual cabe tratar de grandes questões, como a política econômica.

domingo, 24 de janeiro de 2010

# TERREMOTOS



Terremoto ou sismo são tremores bruscos e passageiros que acontecem na superfície da Terra causados por choques subterrâneos de placas rochosas da crosta terrestre a 300m abaixo do solo. Outros motivos considerados são deslocamentos de gases (principalmente metano) e atividades vulcânicas. Existem dois tipos de sismos: Os de origem natural e os induzidos.

As maiorias dos sismos são de origem natural da Terra, chamados de sismos tectônicos. A força das placas tectônicas desliza sobre a astenosfera podendo afastar-se, colidir ou deslizar-se uma pela outra. Com essas forças as rochas vão se alterando até seu ponto de elasticidade, após isso as rochas começam a se romper e libera uma energia acumulada durante o processo de elasticidade. A energia é liberada através de ondas sísmicas pela superfície e interior da Terra.

Calcula-se que 10% ou menos da energia de um sismo se reproduz por ondas sísmicas. Existem também sismos induzidos, que são compatíveis à ação antrópica. Originam-se de explosões, extração de minérios, de água ou fósseis, ou até mesmo por queda de edifícios; mas apresentam magnitudes bastante inferiores dos terremotos tectônicos.

As consequências de um terremoto são:
• Vibração do solo,
• Abertura de falhas,
• Deslizamento de terra,
• Tsunamis,
• Mudanças na rotação da Terra.

Além de efeitos prejudiciais ao homem como ferimentos, morte, prejuízos financeiros e sociais, desabamento de construções etc. As regiões mais sujeitas a terremotos são regiões próximas às placas tectônicas como o oeste da América do Sul onde está localizada a placa de Nazca e a placa Sul-Americana; e nas regiões em que se forma novas placas como no oceano Pacífico onde se localiza o Cinturão de Fogo. O comprimento de uma falha causada por um terremoto pode variar de centímetros a milhões de quilômetros como, por exemplo, a falha de San Andreas na Califórnia, Estados Unidos.

Só nos Estados Unidos acontecem cerca de 13 mil terremotos por ano que variam de aproximadamente 18 grandes terremotos e um terremoto gigante sendo que os demais são leves ou até mesmo despercebidos.
A escala mais usada para medir a grandeza dos terremotos é a do sismólogo Charles Francis Richter. Sua escala varia de 0 a 9 graus e calcula a energia liberada pelos tremores. Outra escala muito usada é a Mercalli-Sieberg, que mede os terremotos pela extensão dos danos. Essa escala se divide em 12 categorias de acordo com sua intensidade.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

# Como Fazíamos Sem Mapas

Até o século 20, a solução era olhar as

estrelas e fazer cálculos

por Ernani Fagundes

Quem já rabiscou um mapinha para indicar um caminho repete um gesto tão antigo quanto a humanidade. "Uma das necessidades mais primordiais da comunicação é indicar um rio ou uma caverna", afirma Jorge Pimentel Cintra, professor de História da Cartografia da Universidade de São Paulo. Muitos desses desenhos devem ter se perdido; ainda assim, o primeiro mapa já visto é bem antigo. Ele surgiu no Egito, há 4 mil anos, e delimitava propriedades rurais.

Para áreas maiores, foi necessário recorrer à matemática e à astronomia. Conhecedores dessas duas ciências, os babilônios criaram um mapa-múndi, que mostra um círculo de terra rodeado por água e por corpos celestes. Depois, o grego Erastótenes (276-194 a.C.) acrescentou uma ferramenta útil para os cálculos: o conceito de latitude. Em Roma, no século 2, um livro de Marino de Tiro (60-130) e Cláudio Ptolomeu (87-150) dava as coordenadas de 8 mil locais. Mas os desenhos ainda não eram confiáveis.

No século 14, as grandes navegações deixaram os cartógrafos mais uma vez em alta. Os mapas eram caros, mas o investimento compensava. Foi com uma tabela de distâncias do matemático José Visinho que Bartolomeu Dias alcançou o cabo da Boa Esperança. Os desenhos eram atualizados com rapidez. Em 1502, dois anos após a descoberta do Brasil, o mapa de Cantino já exibia o novo território.
Mas ainda faltava exatidão. Começou assim a busca pelas longitudes do planeta. Em 1772, o britânico John Harrison (1693-1773) resolveu o problema com um relógio que sempre marcava a hora de um único meridiano. Um novo estágio começou há cinco décadas, com os satélites. No século 21, as imagens do planeta visto do espaço estão na tela de qualquer computador. E, em vez de rabiscar mapas, usamos aparelhos de GPS para nos localizar.

# Dos mapas ao GPS


O longo percurso da humanidade até aprender a se


locomover na Terra

por Fred Linardi

Por muitos séculos, os seres humanos não souberam se o mundo era redondo ou plano, não imaginaram seu tamanho e tiveram dificuldade para transmitir informações de distância e orientações de locomoção. Começamos a resolver esse problema com o primeiro aparato de orientação geográfica, o mapa. Para desenhá-lo, medíamos distâncias em terra e olhávamos para a posição dos astros no céu.

Na Antiguidade, já tínhamos faróis marítimos e dominávamos astronomia e matemática o suficiente para desenhar globos complexos. No século 16, os exploradores europeus alimentavam os cartógrafos com novidades em ritmo frenético. Quinhentos anos depois, o programa Google Earth, que une imagens de satélites a tecnologia GPS, deixa qualquer pedaço do mundo ao alcance de um clique. Com o pacote de ferramentas à disposição, hoje sabemos nos locomover com segurança em terra, por mar e nos céus do planeta.

A rota das coordenadas
Com o tempo, aplicamos ciência e tecnologia aos primeiros desenhos

6200 a.C. - Imagem misteriosa

Encontrado em 1963, o mapa de Catal Hyük, na atual Turquia, iniciou uma polêmica. O desenho parece retratar uma cidade com 80 edificações e um vulcão. Para muitos pesquisadores, este é o mapa mais antigo já encontrado. Para outros, a primazia ainda cabe aos egípcios, que desenhavam os seus 4 mil anos atrâs.

500 a.C. - Crônicas territoriais

Os gregos são mestres da cartografia. Destaque para os relatos e desenhos de Hecateu de Mileto, que viaja ao Mediterrâneo e à Eurásia para criar uma das primeiras obras de geografia. Chamada Ges Periodos, ela é composta por dois livros, Viagens pela Terra e Pesquisa sobre o Mundo.

350 a.C. - Posição no universo

O matemático grego Eudoxo de Cnidos apresenta um mapa do sistema solar, com planetas e astros esféricos concêntricos. Seus cálculos proporcionam um salto no conhecimento da localização dos astros e da posição da Terra no espaço.

Século 4 a.C. - Mecânica celeste

A produção de aparatos de orientação naval com base num globo começa na China, com os astrônomos Shi Shen e Gan De. A esfera amilar aponta a direção dos astros e funciona como um telescópio. No globo, já estão desenhados paralelos e meridianos.

1569 - O primeiro atlas

Um dos maiores feitos da história cartográfica é realizado por Gerhard Kremer, ou Gerardus Mercatus (1502-1594). Ele projeta o globo terrestre num plano de 18 folhas impressas e o batiza de Atlas em homenagem a um titã grego, condenado por Zeus a carregar um globo nas costas.

Século 16 - Esquadro para o mar

Surge o astrolábio marítimo. Trata-se de uma variação do astrolábio, que havia sido criado em torno do século 4 a.C. e que servia para medir a localização dos astros. A versão marítima surgiu na época das grandes navegações e era composta pelo alidade, um tipo de esquadro usado até hoje para medir ângulos verticais.

220 a.C. - Agulha magnética

Sem a bússola, o descobrimento das Américas seria impossível no século 14 - quando o aparelho, como o conhecemos hoje, foi inventado. No entanto, ela já existe na China no século 3 a.C. É introduzida na Europa por árabes e depois desenvolvida pelo marinheiro italiano Flavio Gioja.

1757 - Visão aparente

Além de ser um ótimo aparato para observar os astros, o sextante fornece o posicionamento global de marinheiros e mede distâncias a partir do tamanho aparente dos objetos. A base da busca fica na comparação entre o tamanho de um astro e seu reflexo no horizonte.

1817 - Giro certo

Baseado em um eixo fixo e uma esfera que gira, o giroscópio torna-se fundamental. Em 1895, o aparelho seria fundido à bússola. Surgia assim o girocompasso, usado em navios desde 1910. Hoje, identifica o posicionamento de aviões em parceria com o altímetro, uma invenção de 1924.

1993 - Você está aqui

Desenvolvidos nos anos 60 e disponibilizados para uso civil, satélites possibilitam a criação do Sistema de Posicionamento Global (GPS), que inicia uma nova fase da história dos instrumentos de orientação. Hoje, os motoristas acessam mapas na internet e se orientam com GPS em seus carros.

domingo, 15 de novembro de 2009

# Bússola



A palavra “bússola” vem do italiano do sul bussola, que significa “pequena caixa”. É composta por uma agulha magnética na horizontal suspensa pelo centro de gravidade, e aponta sempre para o eixo norte-sul, ao seguir a direção do norte magnético da Terra. Atribui-se a descoberta da orientação natural dos ímans aos chineses, por volta do ano 2000 a.C., e por consequência, a invenção da bússola. Foi introduzida na Europa pelos árabes, e foi Flávio Gioia que introduziu também o desenho da rosa-dos-ventos na bússola. Data pelo menos do século XV o conhecimento da declinação magnética, quer dizer, da diferença entre o Norte magnético, indicado pela agulha, e o Norte verdadeiro e, possivelmente, foi descoberta pelos portugueses. A declinação era verificada pelo confronto com a observação da Estrela Polar, quando no hemisfério norte, ou da Estrela Pé do Cruzeiro, quando no hemisfério sul, e a direção apontada pela bússola.

A bússola é sem dúvida o instrumento mais conhecido dos Descobrimentos, pois foi provavelmente o mais importante. Indicando sempre o Norte, é uma ajuda preciosa para todo e qualquer navegador. As bússolas atuais variam um pouco entre si, mas têm os mesmos componentes básicos.

Uma bússola é um instrumento navegacional para se encontrarem direções. Ela consiste num ponteiro magnetizado livre para se alinhar de maneira precisa com o campo magnético da Terra. Uma bússola fornece a uma direção de referência conhecida que é de grande ajuda na navegação. Os pontos cardeais são norte, sul, leste e oeste. Uma bússola pode ser usada com um relógio e uma sextante para fornecer uma capacidade de navegação bem precisa. Esse dispositivo melhorou bastante o comércio marítimo tornando as viagens mais seguras e mais eficientes.

Uma bússola pode ser qualquer dispositivo magnético que usa uma agulha para indicar a direção do norte magnético da magnetosfera do planeta. Qualquer instrumento com uma barra magnetizada ou agulha girando livremente sobre um pivô e apontando para o norte e o sul pode ser considerada uma bússola.

Principais componentes das bússolas:

- Base: é transparente e de plástico, normalmente marcada com uma régua de escala e com uma (ou mais) réguas laterais.

- Cápsula: contém uma agulha magnética, é preenchida por um líquido que em geral é um óleo pouco viscoso, que tem como finalidade dar estabilidade à agulha. A agulha geralmente tem algum destaque para o pólo norte (podendo a ponta ser vermelha, de alguma cor brilhante, etc...). Existem, porém, bússolas em que o Sul é destacado, as ditas "bússolas de geólogo".

- Disco de Leitura: Tem uma escala em graus que fica em volta da cápsula, que serve para ser girada manualmente de modo a obter o rumo em graus (em alguns casos, essa escada não gira manualmente, girando apenas com o movimento da agulha).

- Portão: Faixa preta e vermelha pintada numa lâmina ou na cápsula. Serve para alinhar a agulha, move-se junto com a cápsula e as linhas de Norte e tem o lado Norte pintado de vermelho. Em algumas bússolas o portão pode ser movido independentemente.

- Linhas de Norte: São sem série, e servem para alinhar a bússola com os meridianos inseridos no mapa. Movem-se juntamente com o disco de leitura, e são finas, pretas e paralelas ficando geralmente no fundo da cápsula ou numa lâmina transparente.

Atualmente, as bússolas eletrônicas são mais utilizadas, mas, no entanto as suas agulhas estão igualmente sujeitas a desvios, graças à ação que o ferro exerce sobre a agulha.

Contudo, uma bússola a bordo de uma embarcação não é chamada de bússola, mas sim agulha de marear, ou simplesmente agulha.