sábado, 2 de outubro de 2010

# Galáxias, Estrelas e o Sol



Demorou mais ou menos um bilhão de anos para que surgisse a primeira galáxia no universo. As galáxias são grandes aglomerações de matéria cósmica, regidas pela presença de uma ou mais estrelas. Diariamente, estrelas vão desaparecendo e surgindo em todo o universo.


A galáxia da qual a Terra faz parte possui aproximadamente 100 bilhões de estrelas, tem forma espiralada e é chamada de Via Láctea. Contudo, uma destas estrelas é de extrema importância para a vida em nosso planeta: o Sol. Em torno do Sol, orbitam nove planetas e diversos satélites (naturais e artificiais), formando o Sistema Solar. Acredita-se que o Sistema Solar tenha surgido a partir do agrupamento de poeira cósmica e diversos gases em um determinado ponto da Via Láctea. As partículas iam se aglomerando e criando uma massa compacta, com um campo gravitacional cada vez maior, atraindo assim mais partículas e gases.


Após alguns milhões de anos de condensação, a massa do material que deu origem ao Sol atingiu cerca de 10 milhões de graus Celsius. A partir de então, uma fusão nuclear entre átomos de hidrogênio ocorre de dois em dois, produzindo núcleos de hélio. Estas reações nucleares liberam enormes quantidades de energia, emitidas na forma de calor e luz, dando origem ao Sol. Estas reações continuam ocorrendo no interior do Sol, mantendo o calor e a luz desta estrela, que deve ter aproximadamente 5 bilhões de anos.



OS PLANETAS E A TERRA


Acredita-se, dentre as diversas teorias sobre o surgimento dos planetas, que eles tenham sido formados pelos restos da poeira espacial que deu origem ao Sol. Com o passar do tempo, esta matéria cósmica se condensou ao ponto de constituir corpos com densidades capazes de mantê-los afastados do Sol, mesmo estando em sua órbita.


Desta mesma forma, acredita-se, surgiu a Terra. Na sua composição inicial, provavelmente apresentava uma alta concentração de ferro e diversos minerais. Com o acúmulo destes materiais, a Terra desenvolveu um campo gravitacional capaz de aprisionar gases como o hélio e o hidrogênio. Foi assim que surgiu a atmosfera primária. Contudo, esta primeira atmosfera provavelmente foi arrastada pela turbulência das fortes emissões de energia solar.


Depois a Terra desenvolveu a atmosfera secundária, formada lentamente pelos gases liberados do interior do planeta e acumulados na superfície. Acredita-se que estes gases eram: gás carbônico (CO2), nitrogênio (N2), amônia (NH3), hidrogênio (H2), metano (CH4) e vapor de água (H2O). Neste período, grandes forças de compressão atuavam sobre os elementos, resultando em altíssimas temperaturas que impossibilitaram a existência de uma superfície sólida na Terra, que durante aproximadamente 700 milhões de anos era apenas uma bola incandescente formada por rochas fundidas.


Com o passar dos anos, a Terra foi se resfriando, dando origem a uma camada de rocha sólida: a Crosta Terrestre. Ainda assim, a temperatura no planeta era muito alta, impedindo a concentração de água na forma líquida. Com a concentração do vapor de água na atmosfera, ocorre um processo chamado Ciclo das Chuvas, onde o vapor formava densas nuvens que se resfriavam e caíam na forma de chuva. Ao entrar em contato com a alta temperatura da crosta terrestre, essa água voltava a se transformar em vapor e este processo tinha início novamente, de forma cíclica.


Em determinado momento, a crosta se esfria, possibilitando o acúmulo da água em sua forma líquida na superfície. Este acúmulo de água deu origem aos primeiros oceanos e mares - o cenário ideal para a origem dos primeiros seres vivos do nosso planeta.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

# Dicas para economizar água

Por Marcelo Cypriano

CHUVEIRO – Os chuveiros disponíveis no mercado gastam entre seis e 25 litros de água por minuto, conforme modelo e pressão da água. Um banho de 15 minutos com o registro meio aberto gasta cerca de 240 litros. Atitudes simples como fechar a água enquanto se ensaboa e diminuir a ducha para 5 minutos baixam o consumo para 80 litros, três vezes menos. Um chuveiro com sistema redutor de água – pequena peça plástica facilmente instalada no cano – pode economizar até 80%.

BANHEIRA – As banheiras mais comuns têm capacidade média entre 150 e 200 litros. Encher totalmente uma banheira para um banho de imersão equivale a uma ducha de 15 a 20 minutos. Encha a banheira até a metade ou menos, mantendo a mesma água durante o banho.

PIA DE BANHEIRO – As torneiras de pias de banheiros e lavabos liberam cerca de 9 litros por minuto, ou um consumo de 12 litros por dia (média para uma pessoa realizando quatro lavagens de 20 segundos). Ao escovar os dentes durante 5 minutos com a torneira ligada, gastam-se em média 45 litros de água. Escove os dentes com um copo de água e a torneira fechada. Ao fazer a barba, coloque um tampão na pia, encha-a somente um pouco, molhe nela o barbeador, sacudindo-o dentro da água para tirar os pelos das lâminas.

VASO SANITÁRIO – Um terço da água gasta em uma casa é usado pelas descargas – cerca de 10 litros cada vez que uma delas é acionada. Regular a bóia da descarga para que utilize menos água ou instalar um reservatório de duplo depósito pode gerar uma economia de 20% a 40%. O reservatório duplo tem uma válvula com dois botões, um para dejetos sólidos e outro para líquidos. A cada dia, mais imóveis aderem ao aproveitamento da água da chuva, dos telhados e calhas, direcionada para as descargas.

PIA DE COZINHA – Lavar a louça com a torneira meio aberta durante 15 minutos representa um consumo de cerca de 100 litros de água. Deixe os talheres e pratos de molho em água ensaboada dentro da pia ou em uma bacia antes de lavar. Não deixe a torneira aberta enquanto os ensaboa, abra-a somente para enxaguar. Deste modo, você gasta só 30% da água que gastaria, e faz o mesmo trabalho.

LAVADORA DE LOUÇA – Uma máquina com capacidade para 44 utensílios como copos, pratos, tigelas e panelas e 40 talheres gasta cerca de 40 litros por vez. Utilize a máquina apenas quando ela estiver completamente ocupada. Evite ligar para lavar pouca louça.

TANQUE – Uma lavagem com a torneira meio aberta pode gastar um pouco mais de 200 litros em apenas 5 minutos. Deixe as roupas de molho e utilize a mesma água para uma nova lavagem.

LAVADORA DE ROUPA – Além de muita energia, uma máquina de lavar roupas consome até 100 litros de água por lavagem. Veja quantos quilos de roupas secas sua máquina pode lavar e use a carga completa sempre que possível. Se não chegar à carga completa, escolha o programa de “meia carga”, que gasta menos água e será suficiente. A água ensaboada descartada pela máquina pode ser usada para lavar pisos da garagem, do quintal, da calçada. Reserve-a em baldes e aproveite.

MANGUEIRA – Geralmente são usados 230 litros de água para lavar um carro e 260 litros para regar um jardim ou horta por 15 minutos. Prefira um balde e esponja pra lavar o carro, e enxágue com balde também. É melhor usar regadores ou baldes para regar as plantas. Se tiver mesmo que usar mangueira, faça-o no fim do dia ou durante a noite, pois se o fizer ao sol, a maior parte da água evapora antes de penetrar completamente no solo.

PISCINA – Uma piscina doméstica pequena ou média pode perder até 3,8 mil litros de água por mês apenas com a evaporação – e muito mais que isso em piscinas de clubes, escolas ou condomínios, principalmente se estiverem ao ar livre. Se esta água perdida fosse tratada para beber, seria suficiente para uma família de quatro pessoas por um ano e meio. Se for colocada uma cobertura na piscina (capas sintéticas feitas sob encomenda), a perda de água por evaporação pode ser reduzida em até 90%.

Fonte: Projeto Centro Cultural das Águas

sexta-feira, 4 de junho de 2010

# Golfo do México – Desastre anunciado

Basicamente toda fonte de energia apresenta impacto ao meio, com diferentes graus de intervenção ambiental. Além de ser um combustível fóssil finito, o petróleo sempre é lembrado por problemas ambientais causados após a sua utilização, ou seja, pela sua queima e a de seus derivados. Quando utilizamos gasolina e óleo diesel para movimentar motores de carros, motos, caminhões, aviões e outros meios de transporte, estamos liberando grandes quantidades de carbono, aumentando sua concentração na atmosfera e contribuindo, assim, para o aquecimento global do planeta.

Porém, outro grave problema muitas vezes é deixado de lado e só volta à tona quando há acidentes como o derramamento de petróleo no Golfo do México ocorrido no final de abril. O risco de impacto ambiental inicia-se juntamente com a implantação da infraestrutura para extração do petróleo, passando pelo manuseio e chegando ao transporte do produto até as refinarias. Até mesmo os caminhões-tanque com derivados do combustível (gasolina, diesel, querosene, etc.) são passíveis de acidentes e podem contaminar áreas importantes, florestas e recursos hídricos de uma região.

Detalhe da imagem NASA MODIS tirada a partir do satélite Aqua em 25 de abril de 2010 mostrando a mancha de petróleo no Golfo do México.

Detalhe da imagem NASA MODIS tirada a partir do satélite Aqua em 25 de abril de 2010 mostrando a mancha de petróleo no Golfo do México.

O derramamento de petróleo no Golfo do México pode se transformar no maior desastre ambiental, relacionado ao petróleo, da história. A projeção da área atingida é de aproximadamente 1.500 quilômetros de águas e praias que ficarão contaminadas por meses ou até mesmo anos, destruindo a fauna e a flora da região prejudicada. Além disso, a pesca será arrasada por um longo período com reflexos econômicos incalculáveis.

De qualquer forma o desastre não é o primeiro nem será o último, principalmente quando o fator econômico se sobrepõe a qualquer outro interesse. A explosão da plataforma Deep Water Horizon, localizada a cerca de 70 km da costa de Nova Orleans, não é uma novidade. Enquanto não forem controlados os vazamentos no fundo no mar e efetivadas todas as análises, os impactos desse desastre dependerão de inúmeras variáveis que incluem fatores naturais, correntes marítimas, fatores climáticos, propriedades do petróleo, controle do fluxo e todos os esforços envolvidos para contenção e limpeza da mancha espalhada.

A dificuldade momentânea é conter os cerca de 750.000 litros de petróleo que vazam diariamente das válvulas abertas no fundo do mar. Traçando um comparativo, durante a primeira guerra no Iraque, em 1991, as forças iraquianas derramaram 135 bilhões de litros de petróleo em território kuwaitiano. Outro exemplo é do poço Ixtoc I que explodiu em Campeche, no México, em 1979, espalhando mais de meio bilhão de litros de petróleo antes que o vazamento fosse controlado. E um dos mais conhecidos desastres da história, o acidente com o petroleiro Exxon Valdez, em 1989, contaminou 2.000 quilômetros de um intocado litoral na região do Alaska com 41 milhões de litros de petróleo, matando milhares de aves marinhas, águias, focas, lontras e orcas.

Equipes tentam limpar o petróleo derramado pelo Exxon Valdez – março de 1989. Foto: Jim Brickett. Licenciada pelo Creative Commons Atribuição vedada a criação de obras derivadas 2.0 genérica.

Equipes tentam limpar o petróleo derramado pelo Exxon Valdez – março de 1989. Foto: Jim Brickett. Licenciada pelo Creative Commons Atribuição vedada a criação de obras derivadas 2.0 genérica.

Segundo informações de especialistas, o tipo de petróleo que está vazando do poço é mais leve que o espalhado pelo Exxon Valdez, permitindo a queima e a utilização de dispersantes que ajudam a reduzi-lo.

Tão incerto quanto os estragos ambientais será o impacto econômico. Economistas preveem prejuízos em torno de 1,5 bilhão de dólares incluindo pesca e turismo. Porém, ainda é muito cedo para afirmar o tamanho do impacto.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

# Falta de bebês preocupa a Europa


A população da Europa atingiu um pico de 730 milhões de habitantes e entrou em declínio. Espera-se que nas próximas décadas o ritmo da diminuição chegue a 2 milhões de pessoas a menos por ano. Assim, a Europa deverá ter, em 2050, cerca de 664 milhões de habitantes, 10% menos do que hoje. Com isso, a fatia europeia da população mundial vai diminuir de 11% para 7% em 2050.

(...) Embora a população da Europa esteja em declínio, existem variações consideráveis no continente. Na Rússia, Ucrânia, Itália, Polônia, Romênia, Alemanha, Bielo-Rússia e Bulgária projeta-se uma diminuição substancial. Já Grã-Bretanha, França, Irlanda, Suécia, Noruega, Holanda, Albânia e Islândia terão crescimento, mas graças à imigração.

(...) Dois terços dos países europeus consideram os atuais índices de fecundidade baixos demais. Metade deles adotou políticas para elevá-los. Segurança no emprego, licença-maternidade e paternidade, creches, ajuda em dinheiro, jornadas de trabalho flexível são incentivos considerados pelos governos (...).

Publicado com autorização de Yale Global Online www.yaleglobal.

yale.edu - 2007 Centro de Yale para o Estudo da Globalização


terça-feira, 23 de março de 2010

# Teorias populacionais


Malthusianismo


A preocupação com o aumento populacional no mundo não é um assunto recente. Já no final do século XVII (1601-1700), o inglês Thomas Robert Malthus (1766-1834), economista e pastor da igreja Anglicana, preocupado com o crescente aumento populacional e suas consequências socioeconômicaspara a Inglaterra, escreveu uma obra intitulada Ensaio sobre o princípio da população, em que defendia proposições antinatalistas para resolver os problemas relacionados ao aumento populacional.
Segundo Thomas Malthus, a população crescia de forma acelerada (em progressão geométrica-P.G), duplicando a cada 25 anos, enquanto a produção de alimentos cescia de forma bem mais lenta(em progressão aritmética). Essa diferença acabaria resultando no agravamento de problemas sociais, principalmente no aumento da pobreza e da fome.
Dessa forma, para evitar um quadro característico de convulsão social, a população não deveria crescer, tornando-se fundamental a utilização de práticas antinatalistas.
Malthus argumentava que a natureza acabaria por contibuir-por meio de epidemias generalizadas, catástrofes naturais ou mesmo guerras, suprindo uma parte da população. Para garantir o abastecimento satisfatório, seria necessário o controle populacional, conseguido com os seguintes meios:
  • retardamento na idade dos casamentos.
    abstinência sexual.
    planejamento familiar.

Karl Marx (1818-1883) questionou essas ideias argumentando que, na verdade a super população atendia os interesses dos capitalistas.

*Exército industrial de reserva
A teoria de Malthus foi um equívoco, pois, se tivesse havido, de fato, duplicação a cada 25 anos, a população mundial seria aproximadamente 15 bilhões.
Um outro equícoco foi a produção de alimentos, já que Malthus não contava com a revolução técnológica no campo.

Neomalthusianismo


O crescimento populacional ocorido no século XX (explosão demográfica) levou os adeptos de Malthus a criarem uma nova teoria denominada neomalthusianismo.
Essa teoria defende que o aumento populacional é a causa da pobreza.
*Quanto maior o número de habitantes menor a renda per capita.


Os reformistas


Contrapondo-se ao neomalthusianismo, os chamados reformistas ou marxistas argumentam que a miséria que assola os países pobres é responsável pelo crescimento populacional, e não o contrário. A injustiça social e a péssima distribuição de renda impedem o acesso de 800 milhões de pessoas a meios dignos de sobrevivência.
  • o controle populacional X qualidade de vida.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

# Terra arrasada

Daniel Santini e Kátia Mello

Mais de uma semana depois do terremoto que atingiu o Haiti, pelo menos 50 mil corpos já haviam sido recolhidos e muitos estavam espalhados pelos escombros. Autoridades locais estimavam que o número de vítimas fatais pudesse passar de 200 mil.

As imagens de cadáveres cobertos de pó foram transmitidas para todo o mundo, junto com promessas de ajuda. Alguns dos mais poderosos governantes anunciaram pacotes de apoio, envio de tropas, comida e remédios. Até a segunda-feira (18), a quantia prometida por mais de 47 países e órgãos internacionais para reerguer o Haiti passava de R$ 1,2 bilhão, segundo levantamento da Folha Universal.

Nas ruas, porém, as pessoas brigavam desesperadas por alimentos e água, lojas eram saqueadas e feridos procuravam ajuda. Mesmo com a comoção mundial e a mobilização e solidariedade de povos de todo o planeta, uma semana depois do desastre as perspectivas ainda eram sombrias para o país.

“As cifras divulgadas são astronômicas e a impressão é de que esse dinheiro da ajuda vai parar direto nas mãos dos haitianos. Não é bem assim”, diz o cientista político e doutor em Relações Internacionais Reginaldo Nasser.

“O caminho não é direto entre o doador e quem recebe. Há recursos que são desviados antes de chegarem nas mãos de quem está precisando”, aponta o especialista, que tem estudado a militarização e o uso político das missões humanitárias durante desastres e guerras.

“A ajuda humanitária frequentemente é tratada como uma questão meramente filantrópica ou de solidariedade, mas nos últimos anos ela vem se tornando cada vez mais um instrumento político e econômico”, afirma Nasser.

Ele cita como exemplo as ações tomadas após a destruição provocada pelo tsunami na Ásia, em 2004. “Na época, os governos alegaram que as áreas perto das praias não poderiam mais ser habitadas por questões de segurança e retiraram a população local.

Depois, o espaço foi liberado para hotéis, que acabaram beneficiados por doações feitas para ajudar esses moradores”, lembra.

No Haiti, nos dias que se seguiram ao abalo, os Estados Unidos assumiram o aeroporto em ruínas e passaram a controlar o espaço aéreo. Em seguida, o presidente Barack Obama anunciou o envio de mais de 10 mil soldados.

O Brasil, à frente das tropas da Organização das Nações Unidas (ONU) que ocupam e controlam militarmente o país, organizou remessas de comida, água e
remédios e reclamou de restrições para o pouso e decolagem dos aviões carregados.

Em meio às rusgas, diplomatas e secretários trabalham para manter o equilíbrio na divisão de poder dentro do país.

Para que os milhões prometidos para a reconstrução não se percam, Nasser defende um projeto de desenvolvimento que inclua políticas de emprego e reconstrução das instituições locais.

“Primeiro é preciso resolver as questões emergenciais, tratar os feridos, salvar pessoas, aí não há o que discutir. Mas depois, quando o assunto sair de foco, é preciso atenção.

Estudos mostram que muito do dinheiro doado como ajuda volta para os países de origem, seja na contratação de empresas para construções, seja devido a pré-condições que vão do fim de barreiras alfandegárias a privatizações”, analisa.

“Desde 1990 o Haiti tem recebido ajuda e há pobreza. Para onde vai esse auxílio? Apesar de o apoio humanitário ter ajudado, ele não resultou em benefícios”, ressalta.

O Haiti é o país mais pobre do Hemisfério Ocidental. Antes mesmo do desastre, a falta de itens básicos já era um problema grave. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, da sigla em inglês), antes do terremoto, em uma população de 9,2 milhões, o número de desnutridos era de 5,3 milhões (58%) e o de pessoas abaixo da linha da pobreza de 7,3 milhões (80%).

Em meio à miséria local, é difícil obter estatísticas precisas e os números variam de acordo com os levantamentos feitos por diferentes grupos internacionais (veja mais dados acima), mas é possível traçar estimativas da gravidade dos efeitos do terremoto.

Assim como Nasser, o representante regional da FAO para América Latina e Caribe, José Graziano da Silva, aponta a necessidade urgente de criar bases para a nação se reerguer. “O país enfrenta muitos desafios nesses primeiros dias, tais como resgatar, tratar, abrigar e alimentar os afetados. Mas também já precisamos nos preparar para o futuro.

A próxima temporada de plantio no Haiti começa em março e uma boa colheita vai ser muito importante para garantir a segurança alimentar”, defende Graziano da Silva.

A crise alimentar do Haiti, que é anterior ao terremoto e até mesmo às tempestades que destruíram plantações em 2008, está diretamente relacionada a reformas
implementadas nas últimas décadas. “Eles eram grandes produtores de arroz, mas foram forçados a medidas que desestimularam o plantio.

Os Estados Unidos exigiram que baixassem a tarifa de importação e cortassem os subsídios. Eles não conseguiram mais competir com a produção dos norte-americanos, que tinham ajuda do governo”, explica o jornalista Aloísio Milani, que já visitou a
capital Porto Príncipe quatro vezes e hoje trabalha em um livro sobre o Haiti.

Ele considera “hipocrisia” os ex-presidentes norte-americanos Bill Clinton e George Bush estarem à frente do programa oficial para recolher doações.

á dois momentos: o imediato, em que são necessários médicos, alimentos, remédios. E o segundo, que é o da reconstrução”, defende. “A população foi para debaixo da terra. Terão que recomeçar tudo. Executivos, ministros, senadores, policiais, muita gente que fazia parte do governo morreu.

A ajuda humanitária vai até um determinado momento. Depois, ela vai diminuindo, diminuindo, até sumir.
Vamos voltar a um momento de dependência extrema de estrangeiros”, prevê.

Ele questiona o envio de tantos soldados para o país após a catástrofe. “É lógico que não dá para tirar todas as tropas de um dia para o outro. Com certeza há problemas de segurança, como tentativas de saque.

A população está desesperada, precisando beber e comer, e o país está um caos. Neste momento, porém, é melhor ter os 300 médicos que Cuba enviou do que os 10 mil soldados dos EUA”, afirma.

Milani defende que uma das principais medidas de ajuda seria o perdão da dívida externa com outras nações mais ricas e com organismos internacionais. “O Haiti tem dívidas com a França, com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Todos exigem uma série de contrapartidas. É isso o que tem que ser discutido agora?”, questiona.

De acordo com o banco de dados da Agência Central de Informações (CIA) dos Estados Unidos, o Haiti teve, no ano passado, um déficit de mais de R$ 1 bilhão no comércio internacional. Se a situação já é crítica e a perspectiva não é das melhores, a história recente das duas regiões atingidas por tremores tão grandes como o que aconteceu no Haiti também não é muito animadora.

Dois terremotos ocorridos neste século entraram na lista dos dez maiores da história: em 2005, o Paquistão viu a região da Cashemira ruir com um tremor de 7,6 pontos na escala Richter, matando cerca de 86 mil pessoas e, em 2008, a província de Sichuan, na China, perdeu 87 mil habitantes em um terremoto de magnitude 7,9.

O abalo no Haiti foi de 7 pontos.
Até hoje a Cashemira enfrenta problemas. Segundo o técnico em informática paquistanês Jamil Ahmed, em entrevista ao colunista David Cohen, do jornal inglês
“London Evening Standard”, “metade dos 3,3 milhões de pessoas desabrigadas após a destruição de 500 mil casas ainda não têm moradia. Muitas delas vivem em barracos e até a metade de 2009 apenas 10% das escolas tinham sido reconstruídas e metade dos hospitais ainda estavam fechados. Você olha isso e pensa: onde foram parar os R$ 10,1 bilhões que mandaram para a gente?”, indigna-se Ahmed.

Mesmo na China, mais organizada econômica e socialmente que o Paquistão, 1 ano depois da tragédia ainda havia resquícios de prédios que desmoronaram em Sichuan.

E isso considerando que mais de R$ 33,7 bilhões foram gastos em projetos de reconstrução de casas. Em 2010, o governo prometeu investimentos de mais R$ 5,3 bilhões.

Parece impossível dizer quanto tempo o Haiti levará para se reerguer, mas uma coisa infelizmente é certa: não será rápido, muito menos fácil.

# Grã-Bretanha ou Reino Unido?


A confusão muito comum é fácil de explicar. Grã-Bretanha é a ilha de quase 230 mil quilômetros quadrados que é ocupada pela Inglaterra, País de Gales e Escócia.

Já o Reino Unido é um Estado formado por esses três países mais a Irlanda do Norte, que, juntos, têm uma população de cerca 60,6 milhões de pessoas, que falam, majoritariamente, dois idiomas oficiais: o inglês e o galês.

A chefe de Estado é a rainha Elizabeth II e o chefe de Governo é um primeiro-ministro (cargo ocupado atualmente por Gordon Brown) que é eleito por um Parlamento Central, instalado em Londres (Inglaterra), e ao qual cabe tratar de grandes questões, como a política econômica.